Polícia

Esposa de faccionado morto em ação do Gaeco contesta confronto armado: ‘foi extermínio’

De acordo com o Gaeco, Gilmar atuava como braço direito no esquema, auxiliando na organização das cobranças e assumindo o controle de distribuidoras em nome do CV; PM nega execução e diz que tudo está relatado em boletim de ocorrência

A esposa de Gilmar Machado da Costa, o ‘Gilmarzinho’, morto pela Força Tática da Polícia Militar nesta quinta-feira (20), durante cumprimento de mandados na ‘Operação Acqua Ilicita’, gravou um vídeo nas redes sociais afirmando que o marido não enfrentou os policiais no momento em que foi alvejado com diversos tiros. De acordo com a mulher, Gilmarzinho não estava armado quando foi abordado.

“Fomos acordados às 6h pela polícia. Meu marido estava dormindo quando os policiais invadiram e abordaram todo mundo. Eles bateram no meu sobrinho pra acordar ele. Depois, eles colocaram todo mundo pra baixo, porque lá em casa os quartos ficam na parte de cima e o Gilmar ficou lá em cima. Depois, escutamos seis tiros. Ele [Gilmar] não ofereceu resistência nem ameaça, ele não tava armado, foi execução”, disse a mulher, que gravou o vídeo em circulação nas redes sociais, mas não disse seu nome.

Na manhã de quinta-feira, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Militar cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão contra diversos alvos acusados de integrar o Comando Vermelho e extorquir comerciantes de diversos bairros de Cuiabá, obrigando os estabelecimentos a comprar água mineral dos criminosos.

Durante o cumprimento dos mandados, duas pessoas morreram em confronto com a polícia: Fábio Júnior Batista Pires, conhecido como “Farrame”, e Gilmar Machado da Costa, o “Gilmarzinho”. Ambos eram membros do Comando Vermelho.

De acordo com o Gaeco, Gilmar atuava como braço direito no esquema, auxiliando na organização das cobranças e assumindo o controle de distribuidoras em nome do CV, quando comerciantes se recusavam a pagar as taxas impostas pela facção. Além disso, ele também era responsável pelo cadastramento de membros no núcleo de arrecadação da facção.

A esposa de Gilmar contestou a versão de confronto com a polícia e afirmou que ele já estava rendido quando foi assassinado. Segundo a mulher, o quarto do casal tem sinais de tiros nas paredes e tudo leva a crer que Gilmar foi alvejado pelas costas.

“Vocês estão cansados de saber que troca de tiro a polícia joga uma arma velha 38 na mão do cidadão e dá o BO pra ele assinar. Depois que fizeram a execução, eles saíram do local. Aí veio o Gaeco e a GCCO. O que aconteceu foi extermínio, ele foi exterminado, não teve defesa. Eu tenho vídeo, ele tava de costas, a parede do quarto tá pipocada de bala, ele não tava armado”, disse a mulher.

O que diz a PM

Leiagora entrou em contato com a Polícia Militar, que informou que todo o ocorrido consta no boletim de ocorrência registrado logo após o fato.

De acordo com os registros, era por volta das 6h15 quando os policiais chegaram à casa de Gilmar. Após contato com a família, os policiais perceberam que um pacote foi lançado da janela do segundo andar da casa em um terreno baldio.

Quando entraram na casa, a esposa de Gilmar disse que ele não estava no local. Ela disse que não morava mais com Gilmar, pois ambos haviam se separado. Nesse momento os policiais ouviram barulhos no andar de cima e foram verificar.

Ao tentar entrar em um dos quartos, os policiais viram que a porta estava sendo obstruída por uma esteira, momento em que Gilmar teria efetuado disparos de arma de fogo contra a polícia, que revidou. Ele foi atingido e morreu no local.

Com ele, foi encontrada uma pistola calibre 380. No pacote encontrado no terreno ao lado havia uma quantia de R$ 16.413 em espécie.

Leiagora

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