Opinião

Carla Zambelli se comporta como Maria, a Louca do bolsonarismo

Entre tantos personagens deletérios que existem à direita e à esquerda, o destaque vai para Carla Zambelli, que ofendeu Benedita da Silva

Por Mario Sabino

Entre tantos personagens deletérios que existem à direita e à esquerda, o destaque vai para a deputada Carla Zambelli. Ela tem um talento extraordinário para causar danos a adversários, a aliados e a si mesma.

Hoje, ela chamou a deputada petista Benedita da Silva de “Chica da Silva” nas redes sociais, um comentário de cunho racista evidente. Chica da Silva era uma escrava do século XVIII que foi alforriada por um comerciante de diamantes com o qual passaria a viver em concubinato. Ambos tiveram mais de uma dezena de filhos e ela alcançou uma posição de relevo entre os brancos de Minas Gerais.

Carla Zambelli fez o comentário de cunho racista porque não pôde falar em um reunião de mulheres parlamentares. A frase inteira foi: “Eu não vou ter poder de fala, né? Eu não vou falar porque provavelmente… Não sei por que que não vou falar. Parece que (a reunião) já foi montada pela Secretaria da Mulher, que é a Chica da Silva”.

Diante da repercussão obviamente negativa, ela apagou a postagem e pediu desculpas a Benedita da Silva:

“Deputada Benedita, conforme já falamos e me desculpei pela confusão no nome, a senhora sabe que isso passa longe de querer lhe ofender, muito pelo contrário, até porque a história de Chica é uma linda trajetória de coragem e determinação. Um abraço.”

As desculpas não diminuem a ofensa, e elas parecem ter sido muito mais ditadas por medo de processo do que por sinceridade.

E o que dizer da cena rídicula protagonizada por Carla Zambelli na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, em 2022?

De arma em punho, como se fosse a Olivia Benson do Special Victims Unit, ela perseguiu um sujeito nos Jardins, em São Paulo, dizendo que havia sido cercada e agredida.

Aquela cena, juntamente com a estrelada por Roberto Jefferson, que recebeu policias federais com tiros de fuzil, deve ter pesado para que muitos eleitores decidissem não votar em Jair Bolsonaro, de quem Carla Zambelli é aliada fidelíssima.

Os personagens danosos do petismo foram forjados em anos de doutrinação ideológica. São de um lugar-comum aborrecido. Já os do bolsonarismo brotaram de cavernas insuspeitas diretamente para o palco midiático. São de uma esquisitice sem par. A competição por quem é mais bizarro, ofensivo e autodestrutivo é duríssima, mas Carla Zambelli é inigualável.

Quem chamou Benedita da Silva de Chica da Silva se comporta como Maria, a Louca do bolsonarismo.

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